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Criatividade: Alternativa para se Vencer a Crise do Ensino
Entrevista com Ednaldo
Carvalho
Talvez não exista área
tão necessária à sociedade e a seu progresso quanto a Educação. Deixa-nos
motivados saber que existem pessoas totalmente dedicadas a educar. E este
é o caso de Ednaldo Carvalho, professor e editor do Jornal Educar.
Trabalhando, há 20 anos, para o aprimoramento do processo educacional,
ele acredita que a grande mudança na Educação só virá com a total aplicação
de métodos criativos de ensino e com o aperfeiçoamento contínuo dos profissionais
da Educação.
Educar: Por que propor
a criatividade como meio para o desenvolvimento do setor educacional?
Ednaldo: Hoje, são grandes o volume de informações existente e
o avanço tecnológico. Paradoxalmente, há insuficiência de investimentos
na área educacional. Por isto, faz-se necessário contextualizar as formas
de transmitir o conhecimento e realizar um ensino diferenciado. Daí a
utilização de métodos criativos. Existem diversas formas originais de
se elaborar os planos de aula. Os professores precisam buscar alternativas
através da multididática, de exemplos do cotidiano, de realizações paradidáticas
e de métodos construtivistas ou de pedagogos como Emília Ferreiro, Paulo
Freire e Maria Montessori. Assim, cumprirão a grade curricular compatibilizando-a
com a realidade atual.
Educar: Como conscientizar
os professores de que é necessária esta mudança nos métodos de ensino?
Ednaldo:Esta conscientização independe de situações institucionais.
Os próprios professores sentirão a necessidade de se modernizarem, adequando-se
a novos métodos no processo ensino-aprendizagem e utilizando novos meios
de comunicação, como a Informática e a Internet. Só assim os profesores
não correrão o risco de ser surpreendidos pelos alunos que fazem parte
da geração eletrônica.
Educar: Quais são suas
impressões sobre a Infoeducação?
Ednaldo: Esta é uma realidade em nossos dias. A Infoeducação é
um movimento inexorável, independente da minha ação ou de quem quer que
seja. Se o mundo está cada vez mais informatizado, no caso da Educação,
que é a forma de se transmitir o saber, não poderá ser diferente. Será
necessário capacitar o professor nesta área e evitar, assim, a sua defasagem.
Pretendo, com o meu trabalho, promover a criação de uma agência de intercâmbio
educacional com os centros de formação acadêmica do mundo. Assim, o professor
terá condições de avançar em direção à informatização.
Educar: Ednaldo, por
que se candidatar a deputado estadual?
Ednaldo: Professores, diretores e o pessoal de apoio de Nilópolis,
Campo Grande, Realengo, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Caxias, Niterói,
São Gonçalo e outras regiões pediram minha candidatura. Isto se deu em
função do meu trabalho criativo, de mais de 20 anos, na política educacional.
Lecionei na Baixada Fluminense; atuei no Sindicato dos Professores, ainda
na Baixada; realizei eventos nesta área; criei o jornal “A Voz do Professor”
e, hoje, sou editor do jornal “Educar”, veículo de apoio técnico aos professores.
Aceitei o desafio, pois acredito que todos nós temos que estar envolvidos
com a Educação, ainda que direta ou indiretamente. Somente com conhecimento
e muita criatividade se pode ser um deputado útil e atuante na área educacional.
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Educar: E sobre o salário
do professor, o que você tem a dizer?
Ednaldo: Desde que trabalho com Educação, escuto a mesma história:
“o professor precisa ganhar mais; o salário está abaixo da média e, conseqüentemente,
a qualidade do ensino é ruim”. Isto é uma realidade, mas creio que a lógica
desta situação deve ser invertida, pois, até agora, não vimos resultados
satisfatórios. O aumento do salário do magistério deve estar subordinado
à melhoria da qualidade profissional dos professores e do pessoal de apoio
e ser resultado da valorização da classe.
Educar: Como você analisa
as condições de trabalho do pessoal de apoio das escolas?
Ednaldo: Para o bom funcionamento de uma escola, necessita-se de
zeladores, serventes, cozinheiras, inspetores, etc. Hoje, existe uma insatisfação
destes profissionais, pois trabalham com uma carga horária muito grande,
muitas vezes, sob pressão, e não ganham adicional por insalubridade. As
condições de trabalho deles são inadequadas e é preciso oferecer-lhes
mais dignidade no exercício de suas funções.
O profissional da área de Educação precisa ser valorizado. Acredito que,
no Estado do Rio de Janeiro, se quisermos ter destaque em meio à inexorável
globalização econômica e cultural, devemos preparar nossos professores
para formarem as novas gerações em condições de entrarem no terceiro milênio,
com qualificação para competirem em nível internacional.
Educar: Como deputado,
você estará lutando por verbas para o ensino?
Ednaldo: Sim. Investir na Educação não é algo episódico, que acontece
hoje e não mais amanhã. A verba para a Educação precisa ser crescente
e contínua na busca pela qualidade total do ensino público. O sistema
ensino-aprendizagem precisa evoluir. Mas não será apenas com mais verbas
que desenvolveremos a Educação. É necessário haver maior oferta de métodos
de aprendizagem.
Índices
edição 07
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