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Cantar e Contar - Para Educar é só Começar!

Por Simone Garrafiel

Quem, antes de dormir, nunca pediu para a mamãe ou a vovó contar uma historinha? Quem não gosta de cantarolar uma canção? Quem esquece uma história que foi contada ou a música que cantou? Ninguém. História e música são uma diversão e tanto. Todo mundo adora. Isto sem falar que tudo o que diverte é facilmente assimilado pelas crianças. Então, por que não unir estas duas artes e usá-las para educar e estimular o aprendizado? Para a contadora de histórias Bia Bedran, esta é a combinação ideal para uma aprendizagem eficaz e o estímulo ao hábito de leitura. E esta é a chave-mestra do seu trabalho.

“O meu trabalho é todo voltado para a Educação. Eu não consigo separar a criação do educador. Gosto de ir às salas de aula e ver meu trabalho surtir efeito” – explica Bia. Formada em Musicoterapia e Educação Artística, o maior orgulho de Bia Bedran é ver sua obra servindo de apoio para os professores. “A música que componho não é feita para ensinar, mas, sim, para fazer a criança pensar. Meu trabalho é completamente paradidático e os professores o adotam nas escolas” – acrescenta.

Idolatrada pelas crianças, Bia Bedran é uma artista que podemos chamar de “multimídia”. No currículo, estão 25 anos de carreira, muitos shows produzidos e apresentados pelo Brasil afora, programas educativos apresentados na TV, dois livros infantis publicados, CD’s e um CD-ROM educativo lançados. Isto sem contar a sua atuação como professora, ministrando cursos para a formação de contadores de histórias. Seu trabalho é essencialmente criado com base em pesquisas sobre o folclore brasileiro e, principalmente, voltado para as crianças.

Tudo começou em Niterói quando Bia organizou, em parceria com sua mãe e seus tios, o “Grupo Quintal Teatro Infantil”. Com este grupo, começou a fazer profissionalmente trabalhos com música e literatura, direcionados para as crianças. “ Foram dez anos de “Teatro Quintal” e, no final da década de 70, fundei meu próprio grupo de música, chamado “Bloco da Palhoça”. Éramos um quinteto e viajávamos pelo Brasil inteiro pesquisando folclore e incorporando-o em nossas músicas e histórias” – relembra Bia.

O reconhecimento como contadora de histórias se firmou quando, em 1986, Bia estreou na TVE com o programa Canta Conto. Foram seis anos no ar, com novas produções e reprises, contando, cantando e dramatizando histórias da Literatura Brasileira, internacional e popular. “A arte de contar histórias passou a ser vista como instrumento importante para incentivar as crianças a lerem. O programa formou muitos leitores mirins, devido ao seu formato instigante e de cunho educativo” - orgulha-se Bia. No programa, também havia dicas de brincadeiras educativas e de preservação ao meio ambiente e um quadro que mostrava a postura das crianças como cidadãs no mundo.

Todo o produto cultural assinado por Bia Bedran vem sendo disseminado também através dos professores, que adotam seus livros e CD’s em suas aulas. “A música Segredos, por exemplo, é muito utilizada para alunos de 1ª a 3ª séries. Os professores pedem que as crianças escrevam seus segredos e, através da música, estimula-se a escrita. Já a música Anel é alfabetizadora, possui somente quatro versos rimados e pode-se brincar com os fonemas dela (Perdi meu anel no mar/Não pude mais encontrar/E o mar me trouxe a concha/De presente para me dar)” - explica Bia.

  Seu curso para formação de contadores de história, ministrado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), também é uma ferramenta importante para o aprendizado . Voltado para professores que querem ter um maior repertório e mais idéias para suas aulas, o curso destaca que, com a utilização de histórias, desperta-se na criança o prazer pela leitura. Afinal, uma história bem contada aguça a curiosidade de todos, provocando o interesse pelo livro.




Nunca contamos a história como ela está no livro. Um bom contador de história sempre ‘diminui um ponto ou aumenta dois’ e esta é a sua função. Assim, quando a criança lê o que acabou de ouvir, ela se deslumbra e percebe que a palavra escrita é diferente da contada. As crianças sentem necessidade de lembrar o que foi lido e contado. Daí surge o estímulo a leitura” - explica Bia. Ela também atenta para o fato de que a arte e a música ajudam a criança que está com problemas de aprendizado.

Apesar de trabalhar sua arte pensando na formação de novos leitores e de facilitar o aprendizado das crianças, Bia não está satisfeita com o quadro atual da Educação no Brasil. Para ela, muito se fala, mas pouco se faz e a implementação do ensino, que tanto se comenta, não está chegando às salas de aula. “O Brasil ainda está engatinhando com relação à veracidade do que se fala. Por exemplo, fala-se muito em construtivismo e muitas escolas dizem ter uma educação contrutivista, mas não existe a prática do que se propõe, não existe a construção do conhecimento. A educação, nestas escolas, na verdade, continua formal. A ação deveria ser coerente com o discurso” - lamenta Bia.

Mesmo descontente com a situação da Educação no Brasil, Bia não desanima e seu trabalho está longe de parar por aqui. São muitos os projetos para o futuro, dentre eles, o lançamento de mais dois livros infantis e três novos CD’s. Nos planos, também está a produção de um novo programa para TV, a ser veiculado em um canal educativo. “Estou sempre pensando na sala de aula e em como ajudar as crianças estimulando seu aprendizado. Um dos livros que vou lançar será de jogos e brincadeiras feitas com base em canções. Quero que seja didático e sirva de apoio para os professores. Meu objetivo é dividir tudo o que aprendi, dar idéias e vê-las sendo passadas adiante”- finaliza Bia Bedran.

Tecido & Criatividade
Índices edição 07